ARCADE FIRE = LOVE +ALTERNATIVE ROCK

Win Butler e Regine Chassagne, o casal líder da Arcade Fire, tiraram a sorte grande; conseguiram fundir amor e trabalho em um único rolê.  A banda originária de Montreal/ Quebec – Canadá teve início no ano 2000, e após o aclamado/ premiado disco de estreia “Funeral” (2003), colocaram finalmente seu país no mapa das grandes bandas de rock alternativo do mundo. Contando com uma turma de músicos que foram se revezando ao longo da carreira, o irmão de Win, William Butler, é um dos poucos remanescentes da formação original. Seu set up, inclui além dos tradicionais guitarras, baixo e bateria; piano, violino, viola, violoncelo, xilofone, teclado, acordeão e harpa.

O start da banda só vai acontecer em 2003, como o lançamento do citado “Funeral”, que foi concebido em meio a dois sentimentos distintos; Paixão e Luto. Regine, perdia sua avó, e Win perdia seu avô, exatamente no momento de maior ebulição de sua paixão. Os dois passaram a dar pequenas escapadas pelo bairro, para viver esta paixão, e todos estes sentimentos de amor e culpa embaralhados, resultaram no primoroso trabalho de estreia da Arcade Fire. Mesmo tendo sido lançado por um selo pequeno, a Merge Records, e ter chamado a atenção de David Bowie, em sua primeira turnê na Europa, aonde o camaleônico, dava um toque nos executivos de grandes gravadoras, que aquela banda incrível vinha de um selo independente.

Poucos meses depois com sucesso de público e crítica o álbum independente da Merge Records, esgota de seus estoques, e se torna o primeiro disco da gravadora a entrar para a parada da Billboard. A esta altura a banda já chamava a atenção também do U2 de Bono Vox e Cia, que os convidou para abrir a turnê do “Vertigo”. A banda irlandesa, impressionada com a profundidade das letras da banda canadense, elegeu o hitWake Up” da Arcade Fire para abrir os shows; ‘(…) Se as crianças não crescem/ Nossos corpos ficam maiores/ Mas nossos corações se atrofiam/ Somos só um milhão de pequenos Deuses/ Causando tempestades chuvosas/ Transformando cada coisa boa em ferrugem… ’ David Bowie, também caiu de amores pela mesma canção e pela banda, e além convida-los para algumas participações, recebeu em troca o convite para participar de algumas gravações da Arcade Fire.  A banda seguiu pelo mundo tocando em vários festivais; SummerSonic Festival, Coachella, Sasquatch Music Festival, Lollapaloooza, Reading Festival, entre outros.

Em 2005 ilustrava a capa da revista canadense Time Magazine, com louros ter de ajudado a colocar a musica canadense no mapa mundial. Naquele mesmo ano assinam contrato com a EMI. No final do mesmo ano, foram até Nova York e aparecerem no Late Show with David Letterman, e aproveitaram para fazer um show no Central Park. No Brasil a banda se apresentou no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, durante o Tim Festival.  Em sua passagem por Portugal no Festival Paredes de Coura, fizeram o que os críticas chamaram de melhor show de rock do país. A banda cai de amores por Portugal e passa e emendar um festival a outro na Terrinha, chegando a dizer em entrevista, que Portugal era sua segunda casa.

O segundo disco “Neon Bible”, lançado em 2006, já estreia na primeira posição na parada canadense, e em segundo lugar na parada da Billboard. O álbum foi gravado sob sigilo em uma igreja abandonada comprada pela banda, que buscava uma melhor acústica. Já em 2010, após a turnê mundial de “Neon Bible”, a banda lança “The Suburbs”, que segundo o vocalista Win Butler, fazia reverencia a todos os artistas de subúrbio, como Bob Dylan, que segundo ele eram artistas mais completos. “The Suburbs”, rende a banda o prêmio de álbum do ano no Grammy Awards de 2011. O álbum seguinte “Reflektor” (2013), é produzido por James Murphy do LCD Soundsystem, e além de ter a contribuição de David Bowie nos vocais, vem com o peso da banda ter sido escalada para fazer a trilha sonora do filme “Her”, do cultuado diretor Spike Jonze, com Joaquim Phoenix e Scarlet Johansson no elenco. Em 2014 o Arcade Fire retorna ao Brasil como atração principal do Lollapalooza, enquanto faturam a indicação de Oscar de Melhor Trilha Sonora, para o filme “Her”. Com o fim da turnê “The Reflektor”, e após um período de recesso por problemas pessoais, retornam aos palcos no festival Nos Alive, em Portugal. Em 2017, a banda assina com a Columbia Records, e lançam o single “Everything Now”, distribuido em vinil no festival Primavera Sound em Barcelona, que conta também com apresentação da banda. O singleEverything Now” daria também nome ao próximo disco produzido por Thomas Bangalter do Daft Punk, e Steve Mackey da banda britânica Pulp.

No mesmo ano de 2017 voltaram ao Brasil para shows na Fundição Progresso (RJ), e Arena Anhembi (SP). No show de São Paulo durante a última música “Wake Up”, rola a participação dos percussionistas da Escola de Samba Acadêmicos do Tatuapé. E no rastro de todo este sucesso eles ainda emplacaram a versão de “Baby Mine” de Frank Churchill e Ned Washington (presente na primeira versão do filme de 1941), na trilha sonora do remake de “Dumbo”, dirigido por Tim Burton. Ufa! Para uma banda que começou com uma história de amor, o Arcade Fire poderia facilmente, com a sorte e o talento que têm (se quisesse), ao invés de fazer música, construir um foguete para Marte. Tenho certeza que conseguiriam! 

Larry Antha

Larry Antha

Escritor. Formado em História. Vocalista e letrista da Katina Surf.

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